quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

A CAPITÃO OU A CAPITÃ


A CAPITÃO OU A CAPITÃ?
Li algumas notícias que me chamaram a atenção pelo seu conteúdo e também pela sua apresentação. Uma delas foi esta:



Muitas são as palavras “inventadas”, “criadas” pela fala popular. Esse, aliás, é o caminho natural. Porém, devem ser criadas palavras para situações em que ainda não exista qualquer forma de designação. Criar palavras ou alterar-lhes o significado, para colocar no lugar de outras já existentes, não é uma boa prática nem encontra qualquer justifica aceitável.
No caso da notícia que circulou nas redes sociais e na imprensa em geral de que “A CAPITÃO CARLA BORGES FOI QUEM PILOTOU O AVIÃO PRESIDENCIAL COM BOLSONARO ATÉ DAVOS” há uma dessas situações. Não chega a ser a criação de uma nova palavra, mas a modificação - errada - de uma já existente.
            Se a função de CAPITÃO é exercida por uma mulher, não há justificativa alguma para se estranhar que ela seja uma CAPITÃ (ou uma capitoa), a exemplo de consulesa, coronela, delegada, deputada, generala, marechala, ministra, paraninfa, prefeita, primeira-ministra, sargenta e vereadora.
     O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), editado pela Academia Brasileira de Letras é quem tem a delegação legal de estabelecer a existência, ou não, de vocábulos em nosso idioma, além de outros aspectos, entre os quais sua correta flexão em gênero. Ele nos indica que, para a palavra CAPITÃO, existem duas formas para o feminino: CAPITÃ e CAPITOA. Apesar de a segunda forma quase não ser mais usada hoje em dia.
            Dessa forma, vemos no VOLP que CAPITÃO não figura como um substantivo comum-de-dois gêneros, isso, no mínimo, quer significar que seu feminino não pode ser A CAPITÃO, de modo que se há de cair na regra comum de flexão de gênero, formando-se, de modo correto, O CAPITÃO para o masculino e A CAPITÃ ou a capitoa para o feminino.
             
        As mulheres estão MERECIDAMENTE ocupando os espaços que desejam, em absoluta igualdade com os homens. Mas isso não significa que devamos atropelar nossa gramática ou nosso vocabulário. Não é necessário.

Deixo aqui meus cumprimentos, à CAPITÃ que pilotou o avião presidencial: CAPITÃ CARLA BORGES. Cumprimento também todas as mulheres que estão se impondo pela sua capacidade, pelo seu empenho e pela sua inteligência.

domingo, 16 de dezembro de 2018

BOAS FESTAS



 


      Um momento mágico, doce e cheio de significado para a vida de todos nós está chegando.
      Um tempo de repensar valores, de ponderar sobre a vida e tudo que a cerca. Esse é o momento de deixar renascer aquela criança pura, inocente e cheia de esperança que mora dentro do coração de cada um de nós.
      É sempre tempo de contemplar aquele menino pobre, que nasceu numa manjedoura, para nos fazer entender que o ser humano vale por aquilo que ele é e, principalmente, por aquilo que ele faz, e jamais por aquilo que ele possui.

      O NATAL é um dia festivo e nossos olhares devem estar voltados para a festa maior, a festa do nascimento de Cristo dentro de nossos corações. Noite cristã, onde a alegria invade nossos corações trazendo a paz, a harmonia e a esperança.
      Desejo firmemente que, neste Natal, você e sua família sintam mais forte ainda o significado da palavra AMOR, que o espírito que o cerca traga raios de luz que iluminem o seu caminho e transformem o seu coração a cada dia, fazendo que vivam sempre com muita felicidade, muita alegria e muita luz.
      Este também é tempo de refazer planos, reconsiderar os equívocos e retomar o caminho para uma vida cada vez mais feliz.
      Teremos outras 365 novas oportunidades de dizer à vida que, de fato, queremos ser plenamente felizes, que queremos viver cada dia, cada hora e cada minuto em sua plenitude, como se esse fosse o último, que queremos renovação e que buscaremos os grandes milagres da vida a cada instante.
      Todo Ano Novo é a oportunidade que temos para renascer, florescer, viver de novo...

UM FELIZ E SANTO NATAL 
E UM PRÓSPERO E ABENÇOADO 
ANO NOVO PARA TODOS












 TODOS!

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

LEITURA


LEITURA 1
Ler é fundamental. A leitura é o meio de que dispomos para adquirir informações e desenvolver reflexões críticas sobre a realidade. Paulo Freire nos lembra, a propósito, ainda que:

A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. 2

Mas é preciso lembrar que não basta correr os olhos pelas palavras. É necessário, sim, compreender o que elas, intrínseca ou extrinsecamente, significam. Além disso, é preciso inferir o que se encontra dito nas entrelinhas, e captar os pressupostos que o próprio texto encerra.
Porém, mais que isso, é necessário que eliminemos quaisquer elementos que possam interferir negativamente em nossa leitura:

- má postura ao ler;
- deficiências de visão;
- barulhos e ruídos externos;
- ambiente inadequado;
- iluminação insuficiente;
- cansaço físico;
- vocabulário muito restrito que exige uso de dicionário.



Thums3 diz que a “leitura é um processo de ler que, envolve, necessariamente, a compreensão crítica do ato de ler.” (grifo do autor) O leitor precisa decodificar os conteúdos em suas diversas nuances estabelecendo o domínio das ideias propostas pela intencionalidade do autor, buscando, não só o que o texto diz em sua superfície, mas mergulhando na unicidade de comunicação contida em sua profundidade.

Pode-se afirmar que há diferentes modos de se efetuar uma leitura. São várias as leituras: 4

a) leitura sensorial: o contato com o material, com o livro, sentindo sua textura, seu colorido, tipos de letras, aspectos gráficos, fotos, ilustrações etc.

b) leitura emocional: leitura que vai produzir emoções a partir do conhecimento do conteúdo. A leitura vai nos agradar ou desagradar, fazer rir ou irritar. É uma leitura ainda informal, sem maiores compromissos analíticos. É uma leitura superficial ainda.

c) ambas as leituras anteriores preparam a próxima: a leitura intelectual. Essa leitura começa por um processo de análise que procura detectar a organização do texto, percebendo como ele constitui uma unidade e como as partes relacionam-se para formar essa unidade. Não se limita a analisar estruturalmente o texto, mas a buscar a intencionalidade do autor desse texto. Procura saber por que o autor escreveu, qual a finalidade, qual a mensagem que ele quis transmitir. Essa leitura implica uma atitude crítica voltada não só para a compreensão do “conteúdo” do texto, mas principalmente ligada à investigação dos procedimentos de quem o produziu.


Enquanto processo, a leitura de um texto está embasada em noções mais amplas composta pela vivência que o leitor possui de mundo, além da habilidade em compreender a linguagem e o vocabulário utilizado. O hábito da leitura e a constante observação daquilo que o cerca, dão ao leitor mais facilidade de entendimento e o domínio sobre o conteúdo.

Para Hühne (1989) 5, a leitura apresenta cinco formas básicas:

a) exploratória: fase em que se lê tudo; o texto inteiro e completo para perceber o todo;

b) analítica: fase em que se examina o texto, buscando-se as ideias que, juntas, expõem o todo; a ideia principal, as ideias secundárias, as partes significativas, o tema, os enfoques abordados, a problematização, a argumentação, as relações estabelecidas;

c) interpretativa: fase em que se compreende o conjunto, interpreta-se, ou seja, colocamos no que o texto apresenta, as vivências que já possuímos; ao interpretar, elaboramos nosso ponto de vista sobre o assunto, questionando-o, avaliando-o, criticando-o;

d) problematização: fase em que se retiram do texto os problemas trazidos, as dúvidas apresentadas;

e) crítica: fase em que se contrapõem ideias – as minhas e as do texto, formulando juízos.

Indo mais além, é preciso que se decomponha o texto em suas partes constitutivas, da estrutura e do conteúdo – num exercício de análise do pensamento proposto. Após, faz-se a recomposição de um novo todo, agora com os juízos formados, coordenando-os conforme a nova linha de importância que foi dada à interpretação. É a fase em que o leitor vai reconstruir uma nova estrutura, ou seja, ele vai recompor o texto utilizando-se das ideias contidas no próprio texto juntamente com as suas. É o resultado da junção das ideias, transformando-as numa outra, nova, independente.



Para uma leitura proveitosa e uma boa interpretação, sugerimos diretrizes apresentadas por Severino: (1986): 6
 
1
LEITURA TEXTUAL
Preparação do Texto

-  análise literal;
- trabalho sobre cada uma das partes: capítulo, seção, partes, parágrafos – leitura para se ter noção geral do conteúdo;
- identificação dos elementos informativos mais expressivos: vocabulário, jogos de palavras, linhas de abordagens, propostas, encaminhamentos;
-  realização de um esquema do texto, sua estrutura;
2
ANÁLISE TEMÁTICA
Compreensão do Texto

- identificar tema-problema, a ideia geradora as ideias secundárias, a auxiliares, a explicativas, a logicidade;
- refazer o esquema lógico do pensamento do autor;
- esquematizar as ideias.
3
ANÁLISE INTERPRETATIVA
Penetração no Texto

- situar o texto em seu contexto geral: social, político, religioso, filosófico, cultural, econômico etc;
-  encontrar pressupostos que justifiquem a abordagem do autor;
- aproximar e associar ideias dos blocos temáticos do texto: parágrafos, partes, capítulos...
-  assumir uma postura crítica quanto à:
- coerência de argumentação;
- realidade dos argumentos apresentados;
- originalidade na abordagem;
- profundidade na análise;
- alcance das conclusões e/ou consequências;
           - apreciação e juízo das ideias;
4
PROBLEMATIZAÇÃO
Discussão do Assunto
- levantar questões básicas e implícitas do texto;
- discutir as questões levantadas pelo autor;
- debater os problemas abordados;
- analisar a organização e influências do texto.



 

1. Texto publicado originariamente em FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas Técnicas para o Trabalho Científico. 14.ed. Porto Alegre: Dáctilo-Plus, 2008. p. 28-32.
2. FREIRE, Paulo. apud INFANTE, Ulisses. Do Texto ao Texto. Curso Prático de Leitura e Redação. São Paulo: Scipione, 1998. p. 46.
3. THUMS, Jorge. Acesso à Realidade. Técnicas de Pesquisa e Construção do Conhecimento.  2.ed. Porto Alegre: Sulina/Ulbra, 2000. p. 65
4. Essas alíneas que tratam das leituras foram adaptadas de INFANTE, Ulisses. Do Texto ao Texto. Curso Prático de Leitura e Redação. São Paulo: Scipione, 1998. p. 49-51.
5. apud THUMS, Jorge. Acesso à Realidade. Técnicas de Pesquisa e Construção do Conhecimento.  2.ed. Porto Alegre: Sulina/Ulbra, 2000. p.67
6. apud THUMS, Jorge. Acesso à Realidade. Técnicas de Pesquisa e Construção do Conhecimento.  2.ed. Porto Alegre: Sulina/Ulbra, 2000. p.69, adaptado.