REGÊNCIA VERBAL
Regência é a relação necessária que se
estabelece entre duas palavras, uma das quais servindo de complemento a outra
(dependência gramatical).
- TERMO REGENTE = palavra principal a que outra se subordina.
- TERMO REGIDO = palavra dependente que serve de complemento e que se subordina ao termo regente.
Assim, a
relação entre o verbo (termo regente) e o seu complemento (termo regido)
chama-se REGÊNCIA VERBAL, orientada
pela transitividade dos verbos, que podem se apresentar como diretos ou indiretos,
ou seja, exigindo um complemento na forma de objeto direto ou objeto indireto.
Na realidade, então, o que estudamos na
regência verbal é se o verbo é transitivo direto, transitivo indireto,
transitivo direto e indireto ou intransitivo e qual a preposição relacionada com ele.
Verbos Transitivos
Diretos.
Verbos Transitivos
Indiretos.
Verbos Transitivos
Diretos e Indiretos.
Verbos Intransitivos.
O verbo pode
ligar-se a seus complementos de dois modos: com ou sem o
auxílio de uma preposição.
** Quando não houver a preposição,
chamaremos o verbo de TRANSITIVO DIRETO e seu complemento de OBJETO
DIRETO.
**Quando houver a preposição,
chamaremos o verbo de TRANSITIVO INDIRETO seu complemento de OBJETO
INDIRETO.
**Quando o verbo possuir os dois complementos, chamaremos
de TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO.
** Além dessas denominações, há o
verbo INTRANSITIVO, aquele que não necessita de complementação.
É importante
saber usar o verbo adequadamente, com a preposição quando ele a exigir
ou sem a preposição quando ele a rejeitar.
A maneira como
se expõe a matéria aqui, é por intermédio da própria regência do verbo, ou
seja, apresenta-se uma lista de verbos transitivos diretos, de transitivos
indiretos, de intransitivos, etc.
Lembrando
que o OBJETO DIRETO (complemento do
verbo que não possui preposição) também pode ser representado pelos pronomes
oblíquos "o", "a", "os", "as". Já o OBJETO INDIRETO (acrescido de
preposição) igualmente pode ser representado pelos pronomes "lhe",
"lhes".
Cuidado,
porém, com alguns verbos, como "assistir" e "aspirar", que
não admitem o emprego desses pronomes. Os pronomes "me",
"te", "se", "nos" e "vos" podem,
entretanto, funcionar como objetos diretos ou indiretos.
ATENÇÃO: Muitas vezes alguns
verbos podem apresentar diferentes regências sem que seus sentidos sejam
alterados ou, ao contrário, acarretando diferentes significados e acepções.
REGÊNCIA DE ALGUNS VERBOS
-
ABRAÇAR.
Pede
objeto direto.
Exemplos:
Abracei Michele carinhosamente em seu
aniversário.
Pelo meu elogio, Pedro abraçou-me agradecido.
Observação: Este verbo pode
aparecer com outras regências que não acarretam mudança no sentido, mas que
introduzem matizes especiais de significação.
Exemplos:
Meio tonto, Lucas abraçou-se ao poste.
Para caminhar com mais apoio, Ana abraçou-se
em mim.
Comemorando a vitória, Luís abraçava-se com o
pai.
- ACONSELHAR.
Pede
objeto direto e indireto no sentido de "dar e tomar conselhos, entrar em
acordo".
Exemplos:
Aconselho você a não sair de casa hoje por
causa da chuva.
Aconselhei à Isabel um bom caminho para ir à
praia.
Aconselhamos João sobre os malefícios do
fumo.
Aconselhei-me com o juiz sobre o meu
processo.
Depois nos aconselharemos no que mais nos
convier.
Aconselharam-se para me trair.
- AGRADAR.
Pede
objeto direto no sentido de "acariciar, fazer agrados".
Exemplos:
O pai agradava o filho antes de sair para o
trabalho.
Sempre agradei minhas namoradas com meus
elogios. (agradá-las)
Pede
objeto indireto no sentido de "ser agradável, contentar, satisfazer".
Exemplos:
A resposta não agradou ao professor.
Tenho certeza de que este livro não lhe
agradará.
A piada não agradou à platéia.
- AGRADECER.
Pede
objeto direto e indireto.
Exemplos:
(AGRADECER ALGUMA COISA A ALGUÉM)
Agradeci A Deus a cura de minha mãe.
Agradeceu-me comovido o presente.
Observação: Agradecer a alguém
"por alguma coisa" é incorrer em italianismo, forma perfeitamente
dispensável.
- AJUDAR.
Pede
objeto direto e indireto.
Exemplos:
Ajudo meu irmão em seu escritório.
Ajudei-o a resolver aqueles problemas.
- APOIAR-SE.
Pede
objeto indireto.
Exemplos:
Para não cair, Carlos apoiou-se ao muro.
Ela apóia-se à mesa para escrever.
Apoiamo-nos em documentos para provar o que
dissemos.
Apoiei-me sobre a perna direita ao descer do
ônibus.
- ANTIPATIZAR
/ SIMPATIZAR
Pedem
objeto indireto, iniciado pela preposição "com".
Exemplos:
Antipatizei com aquela secretária.
Simpatizo com as idéias daquele partido.
Observação: Esses verbos não
são pronominais. Assim, não se deve dizer: "antipatizei-me com ela"
ou "simpatizei-me com ela".
- ASPIRAR.
Pede
objeto direto quando significa "respirar, sorver, absorver".
Exemplos:
Aspirei muita poeira, limpando aqueles livros
velhos.
Ao abrir a janela, aspirei o ar puro da manhã.
Pede
objeto indireto no sentido de "ambicionar, pretender, desejar".
Exemplos:
Ele sempre aspirou ao cargo de presidente da
República.
Todos aspiram a uma vida melhor.
Observação: Neste caso, não se
admite o pronome átono "lhe" que deve ser substituído pelas formas
"a ele, a ela", etc.
Exemplo:
Aquele aumento de salário?! Aspiro a ele
desde o ano passado.
- ASSISTIR.
Pede
objeto direto no sentido de "prestar assistência, ajudar, servir,
acompanhar".
Exemplos:
O médico assiste a evolução daquele paciente
todos os dias.
A Prefeitura assistiu os moradores daquela
favela depois dos desabamentos.
Pede
objeto indireto quando significa "prestar atenção, estar presente,
presenciar".
Exemplos:
Assistimos ao jogo ontem à noite.
Aquele casal assistiu à queda do avião com
indiferença.
Observação: Neste caso, também
é exigida a forma "a ele/a ela", quando da substituição do
complemento por uma forma pronominal.
Exemplo:
Quanto ao julgamento, assistimos a ele
preocupados.
Também
pede objeto indireto no sentido de "pertencer, caber direito ou
razão".
Exemplo:
Não lhe assiste o direito de reclamar neste
momento.
Observação: Nesta acepção, é aceito como objeto
indireto o pronome oblíquo "lhe".
- ATENDER
Pede
objeto direto com o significado de "servir, escutar e responder".
Exemplos:
O garçom atendia o freguês com simpatia.
Renato atendeu o telefone logo que ele tocou.
Observação: Com o sentido de
"escutar e responder", a regência deste verbo pode apresentar a
oposição luso-brasileira "atender algo / atender a algo".
Exemplos:
Renato atendeu o telefone / Renato atendeu ao
telefone
Pede
objeto indireto no sentido de "deferir, cuidar de".
Exemplos:
O juiz atendeu ao
requerimento do advogado.
Horácio e Vera
atendiam às crianças de sua creche com muito carinho e dedicação.
Todo domingo, um
grupo de jovens atendia aos mais necessitados de seu bairro com alimentos e
roupas doados.
Pede
objeto direto ou indireto, indiferentemente, quando significa "dar ou
prestar atenção a, dar audiência a".
Exemplos:
O soldado não atendeu as (às) ordens do
sargento.
Janete sempre atendia os (aos) conselhos de
sua mãe.
O reitor atenderá a (à) comissão de alunos
amanhã.
- ATINGIR
Pede
objeto direto.
Exemplos:
A despesa atingiu 50 reais.
Atualmente a informática atinge um progresso
espantoso.
- ATIRAR
Pede
objeto direto quando significa "arremessar, lançar, arrojar".
Exemplos:
"Aquele que estiver sem pecado que atire
a primeira pedra!"
Mário gosta de atirar pedras no telhado do
vizinho.
Observação: Não se deve
confundir objeto indireto com adjunto adverbial.
Pede
objeto indireto no sentido de "disparar arma de fogo".
Exemplos:
O alvo a que os soldados atiravam ficava a
300 metros.
Atirem nos inimigos quando eu mandar!
- AUMENTAR
Pede objeto
indireto com a preposição "em".
Exemplo:
A dívida externa brasileira aumentou em
tamanho.
- AVISAR
(assim como CERTIFICAR, INFORMAR, NOTIFICAR, PREVENIR)
Pede
objeto direto e indireto.
Exemplos:
(AVISAR ALGUÉM DE ALGUMA COISA - FORMA MAIS ACEITÁVEL)
Eu avisarei Pedro da sua chegada.
Eu o avisarei...
(AVISAR
ALGUMA COISA A ALGUÉM)
Eu avisarei sua chegada a Pedro.
Eu lhe avisarei...
- BATER
Pede
objeto direto, significando "bater alguma coisa".
Exemplos:
Ao sair, Marco bateu a porta com violência.
Ela machucou seu dedo, batendo pregos na
parede.
Sílvio bateu o carro no poste violentamente.
Pede
objeto indireto com o sentido de "bater a, na, pelas portas,
bater em
alguém, bater sobre".
Exemplos:
Alguém bateu à porta quando eu assistia à
televisão.
Alguém bateu na porta da sala com uma
bengala.
O mendigo batia pelas portas de várias casas
a pedir só um prato de comida.
João foi preso ontem por bater em sua mulher.
Revoltado, o diretor bateu sobre a mesa a mão
fechada com extrema raiva.
- CARECER
Pede
objeto indireto.
Exemplos:
(Com o sentido de "precisar, necessitar")
Careço de dinheiro para pagar minhas contas.
Careço do carinho de meus avós que já
morreram.
- CARREGAR
Pede
objeto direto ou indireto.
Exemplos:
Carreguei o menino no colo o dia todo.
Carreguei com o menino deste lugar perigoso.
- CERTIFICAR
(Mesma regência de AVISAR)
- CHAMAR
Pede
objeto direto ou indireto - com a preposição "por" como posvérbio -
quando significa "fazer vir alguém, convocar, invocar, pedir
auxílio".
Exemplos:
O presidente chamou os ministros para uma
reunião urgente.
(Chamou-os)
Em suas preces, Alzira chamou por todos os
santos.
O rapaz chamava pelos colegas para empurrarem
o carro.
Quando viu os ladrões, Noeli chamou pela polícia.
De longe, notei que alguém chamava por mim.
Ainda com
este sentido, o verbo CHAMAR pode tornar-se intransitivo.
Exemplos:
- Chamou? Perguntou o policial.
- Chamei! Respondeu a moça.
Com o
significado de "denominar, apelidar", pede objeto direto ou indireto
e predicativo, com ou sem preposição.
Exemplos:
Chamavam Jânio, maluco. / Chamavam Jânio de
maluco.
Chamavam a Jânio de maluco. / Chamavam a
Jânio, maluco.
- CHEGAR
Pede o
emprego da preposição "a"; contudo, já é bastante usual na linguagem
coloquial brasileira o emprego da preposição "em".
Exemplos:
Ele chegou ao (no) colégio atrasado.
Bete chegou a (em) casa de madrugada.
Observação: Em "Cheguei na
hora exata", a preposição "em" está empregada corretamente,
porque indica tempo, e não lugar.
- CERTIFICAR
(ver AVISAR)
- COMUNGAR
Pede
objeto direto com o sentido de "dar comunhão.
Exemplo:
O padre comungou meus pais hoje.
(Comungou-os)
Com o
significado de "estar de acordo, participar", pode vir com
preposição, como posvérbio.
Exemplos:
Eles comungavam às (das/nas/com as) mesmas
idéias.
Gabeira voltou ao Brasil para comungar das
(com as/nas) liberdades e
dos direitos e deveres democráticos.
- CONFRATERNIZAR
Pede
objeto indireto.
Exemplo:
Os jogadores confraternizaram com a torcida
após a conquista do campeonato.
Observação: O verbo
confraternizar já indica reciprocidade. Portanto, o pronome "se" é
perfeitamente dispensável.
- CONHECER
Pede
objeto direto.
Exemplos:
Eu conheço aquela menina de algum lugar. (Eu
a conheço)
- CONSTITUIR
(-SE)
O verbo
constituir é transitivo direto.
Exemplo:
Esses capítulos constituem o núcleo do
romance.
O verbo
constituir-se rege a preposição "em": Esses capítulos constituem-se
no núcleo do romance.
- CONTENTAR
Pede
objeto direto quando significa "agradar, satisfazer".
Exemplos:
Fiz o possível para contentar meus filhos
neste Natal.
Não consegui contentá-la com meu presente.
Com o
sentido de "ficar contente", o verbo é pronominal, apresentando-se
com as preposições "com, de, em".
Exemplos:
Contento-me com poucas coisas.
Contentou-se em/de viajar amanhã para a
Europa.
- CONTRIBUIR
Quando se
usar o verbo "contribuir", a preposição "com" deverá
introduzir o meio utilizado para a contribuição (dinheiro, mão-de-obra, mantimentos,
roupas, etc.); já a preposição "para" introduzirá o beneficiário da
contribuição, ou seja, a quem será destinado o elemento material da
contribuição. Deve-se dizer, pois, que alguém contribui com algo para alguém.
Exemplos:
Ele contribuiu com dinheiro para as vítimas
das enchentes.
Pedro contribuirá com sua experiência de
pedreiro para a reforma da escola.
- CONVIDAR
Pede
objeto direto.
Exemplos:
Convidarei Bruna para sairmos hoje.
Cláudia não o convidou para a festa.
- CUSTAR
Pede objeto
direto quando significa "valer, ter um preço".
Exemplos:
Este carro esporte custa cem mil dólares.
Quanto custou esse livro?
Quando
significa "ser difícil", pede objeto indireto e vem sempre na
terceira pessoa, tendo como sujeito uma oração, geralmente reduzida de
infinitivo.
Exemplos:
Custa-me ir trabalhar de trem todos os dias.
Custam aos alunos esses exercícios de
geometria (Custam-lhes)
Se o
verbo vem seguido de um infinitivo, este pode vir ou não precedido da
preposição "a".
Exemplos:
Custou-me (a) resolver esses problemas.
Ele há de custar (a) dar o primeiro passo.
Observação: Para valorizar a
pessoa a quem um fato apresenta-se difícil, ou ainda tendo o sentido de
"tardio, demorado", a linguagem coloquial põe-na como sujeito da
oração.
Exemplos:
Custei (a) resolver esses problemas.
Custamos (a) acreditar que aquilo era
verdade.
- DEPARAR
Pede
objeto direto quando significa "fazer aparecer".
Exemplo:
Qual é o santo que depara as coisas perdidas?
Pede
objeto indireto no sentido de "encontrar com alguém de repente".
Exemplo:
Ana deparou com seu pai na rua.
É
pronominal, SOMENTE QUANDO SIGNIFICAR
"vir, chegar, surgir inesperadamente".
Exemplo:
Deparou-se-lhe uma ótima chance de emprego.
- DESCULPAR
Pede
objeto direto e indireto, possuindo os sentidos de "pedir desculpas,
perdoar e justificar".
Exemplos:
(PERDOAR ALGUÉM DE OU POR ALGUMA COISA)
Desculpe-me de (por) ter gritado com você.
Ao chegar, Antônio desculpou-se da
(pela=por+a) demora.
Desculpei meu irmão de (por) me ter ofendido.
(Desculpei-o)
Toda mãe sempre desculpa os erros de seus
filhos.
- DIGNAR-SE
(pronominal, que no padrão culto rege a preposição "de")
Exemplos:
Ele não se dignou de dizer a verdade.
O deputado nem se dignou de nos responder.
Observação: É comum, em textos
formais, encontrar esse verbo com a preposição "de" elíptica.
Exemplo:
O Presidente se dignou ouvir nossas
reivindicações.
Normalmente,
esse verbo, na linguagem corrente, é usado com as preposições "em" ou
"a", sendo esse uso inadequado, já que não é aprovado por gramáticos
e dicionaristas.
- ENCONTRAR
Pede
objeto direto quando significa "achar, avistar".
Exemplo:
Só hoje encontrei o livro que tanto
procurava.
Pede
objeto indireto no sentido de "deparar com alguém, ter ou marcar um
encontro".
Exemplo:
Encontramos com João no cinema.
É
pronominal quando significar "estar, achar-se em".
Exemplo:
A secretária disse que seu chefe
encontrava-se em reunião.
- ENSINAR
Pede
objeto direto e indireto.
Exemplo:
Ensinei português aos alunos a tarde toda.
- ENTRAR
Pede
objeto indireto.
Exemplos:
Entrei na sala de aula.
Entrei de cantor no conjunto do colégio.
Entrei para o coro do teatro.
- ESPERAR
Pede
objeto direto.
Exemplo:
Na festa, todos esperavam Pelé.
Observação: Pode-se empregar a
preposição "por" como posvérbio,
marcando interesse: "Todos esperavam
por Pelé."
- ESQUECER
Dependendo
do matiz de significação que se queira dar ao verbo, este poderá se apresentar
transitivo direto ou indireto e pronominal, acompanhado dos pronomes me, te,
se, etc.
Exemplos:
Esqueci o livro sobre a mesa.
Esqueci-me do livro...
Não esqueça as suas tarefas.
Não se esqueça das suas tarefas.
Já esqueci totalmente o latim.
Já me esqueci totalmente do latim.
Na língua
do Brasil, no entanto, surgiu uma fusão dessas duas possibilidades: esquecer de
algo ou de alguém. Essa forma é usadíssima na fala e encontra registro na
escrita, sobretudo quando o complemento de "esquecer" é um
infinitivo: "Ia esquecendo de fazer uma confidência importante"
(Érico Veríssimo); "Ele esqueceu de ir ao banco"; "Não esqueço
de você"; "Não esquecia da saúva" (Mário de Andrade).
Atenção: Se participar de um concurso
público, de um vestibular, de uma prova tradicional, você deve considerar
erradas as construções do parágrafo anterior, apesar de serem comuns na fala e
na escrita brasileiras.
Há ainda
a possibilidade de o sujeito do verbo "esquecer" não ser uma pessoa,
um ser humano. O sujeito é uma coisa, um fato. Mas coisa No caso, "esquecer"
passa a significar "cair no esquecimento". Em "Açores: Férias
que nunca esquecem" (frase de um anúncio divulgado em Portugal), o sujeito
do verbo "esquecer" é "férias". Elas, as férias, nunca caem
no esquecimento.
Em
Machado de Assis, encontram-se vários casos desse emprego de
"esquecer": "Esqueceu-me apresentar-lhe minha mulher", onde
o sujeito de "esqueceu-me" é a oração "apresentar-lhe minha
mulher", ou seja, esse fato - o ato de apresentar-lhe minha mulher - caiu
no meu esquecimento.
Essa mesma
regência vale para "lembrar", isto é, há na língua o registro de
frases como "Não me lembrou esperá-la", em que "lembrar"
significa "vir à lembrança". O sujeito de "lembrou" é
"esperá-la", ou seja, esse fato - o ato de esperá-la - não me veio à
lembrança.
- ESTIMAR
Pede
objeto direto quando significar "ter afeição ou amizade a, apreciar,
avaliar, congratular-se por, ser de opinião, achar".
Exemplos:
Estimo meus sobrinhos como filhos.
Estimava bastante os filmes de Chaplin.
Estimo esse anel em mil dólares.
Estimamos suas melhoras.
Estimei o fim da obra para daqui a dez dias.
Com o
sentido de "prezar-se", apresenta-se também como pronominal.
Exemplo:
Normalmente, estima-se todos aqueles que
fazem o bem.
- FELICITAR
Pede
objeto direto e indireto.
Exemplo:
Felicito-o
por (de) ter passado no concurso.
- FUGIR
(ESCAPAR)
Pede
objeto indireto.
Exemplos:
Fugiu-lhe as forças.
Fugiram ao cerco da polícia.
Ele foge de qualquer briga.
- GOSTAR
Quando
sinônimo de "apreciar", pede objeto indireto.
Exemplo:
Ele gostou do almoço que lhe servimos.
Quando
significa "degustar, provar, experimentar, saborear",pede objeto
direto.
Exemplo:
Ele gostou o vinho.
- IMPLICAR
Pede
objeto direto quando significa "acarretar, produzir como conseqüência alguma
coisa, pressupor".
Exemplos:
Tua atitude implica prejuízos ao colégio.
Acho que esses novos cálculos implicarão
mudanças gerais nas obras.
Com o
sentido de "envolver, comprometer", pede objeto direto e indireto.
Exemplos:
(IMPLICAR
ALGUÉM EM ALGUMA COISA)
O falsário implicou muita gente em suas
falcatruas.
Com o
sentido de "ter antipatia, irritação em relação a alguém ou a alguma
coisa", pede objeto indireto.
Exemplos:
Dona Maria implicava com todas as crianças do
bairro.
Paulo implica com sua irmã caçula o dia todo.
- IMPORTAR
Pede
objeto direto com o significado de "fazer vir de país estrangeiro,
acarretar".
Exemplos:
O Brasil importa muitos automóveis da Europa.
As guerras importam grandes calamidades.
Pede
objeto indireto quando significa:
1.
ATINGIR O TOTAL DE;
Exemplo:
As despesas importaram em vinte mil dólares.
2.
REPRESENTAR;
Exemplo:
Só eliminei os erros do texto quando eles
importavam em erros gramaticais.
3.
DIZER RESPEITO, INTERESSAR;
Exemplo:
Estas regras importam a todos que desejam
escrever bem.
4.
PREOCUPAR-SE, INCOMODAR-SE COM OU DE (pronominal);
Exemplos:
Toda mãe importa-se quando seus filhos saem à
noite sozinhos.
Você se importa de ficar aqui hoje?
- INDAGAR
Pede
objeto direto e indireto.
Exemplo:
Os alunos indagaram as suas notas baixas do
professor.
- INFORMAR
(ver AVISAR)
- INTERESSAR
Pede
objeto direto e indireto quando significa "prender a atenção, despertar a
curiosidade".
Exemplo:
Por meio desse novo método, consegui
interessá-lo em matemática.
Pede
objeto indireto e é pronominal com o sentido de "ser proveitoso, útil,
empenhar-se".
Exemplos:
Em função do meu trabalho, interessava-me em
residir fora do Rio de
Janeiro.
Ele não se interessa nas aulas de física.
- IR
Pede objeto
indireto ou complemento circunstancial de lugar.
Exemplos:
Vou a São Paulo.
Fui para a França.
- LEMBRAR
Significando
"fazer vir à memória por analogia, sugerir", pede objeto direto.
Exemplo:
Depois da chuva, a estrada lembrava um rio.
Pede
objeto direto e indireto quando significa "recomendar, advertir".
Exemplos:
Este retrato é para lembrá-la a você.
Lembre seu pai de tomar os remédios na hora
certa.
Com o
sentido de "recordar, vir à memória, trazer à lembrança", é possível
duas formas.
Exemplos:
Lembrei o acidente.
Lembrei-me do acidente.
Observação: Quando o objeto
indireto vem expresso por uma oração desenvolvida, o uso da preposição
"de" é facultativo. Exemplo: Lembrei-me (de) que devo estudar para a
prova hoje.
- MEDITAR
Pede
objeto indireto. No entanto,Possui duas regências sem mudança em seu
significado.
Exemplos:
(MEDITAR SOBRE OU EM ALGUMA COISA)
À noite, sempre medito sobre (em) minha vida.
- MORAR
(RESIDIR)
Em
dicionários de regência, como os de Celso Luft e de Francisco Fernandes, vemos
que o uso da preposição "a" com os verbos morar e residir é mais
comum na linguagem burocrática, apesar de também aparecer em textos literários.
Mas só há registros disso antes de rua, praça, avenida (palavras femininas).
Não há registro, por exemplo, de "Mora ao Largo da Carioca",
"Reside ao Beco do Mota", etc. Já a preposição "em" é
inquestionavelmente correta em qualquer desses casos: "Mora na Rua
Prudente de Morais", "Reside no Largo do Machado", etc.
- NAMORAR
Pede
objeto direto em qualquer das acepções em que ele possa ser tomado.
Exemplos:
Marco namorou Denize por cinco anos.
Ele namorava os doces da vitrine.
Observação: É incorreto
empregar a preposição "com" no sentido de "namorar com
alguém".
- NOTIFICAR
(ver AVISAR)
- OBEDECER
(DESOBEDECER)
Pede
objeto indireto.
Exemplos:
Os alunos obedecem ao professor e às leis do
Colégio.
Ela sempre lhe obedece.
Muitos brasileiros ainda desobedecem aos
sinais de trânsito.
Apesar de
transitivos indiretos, estes verbos admitem a voz passiva analítica.
Exemplos:
Leis devem ser obedecidas.
Regras básicas de civilidade não podem ser
desobedecidas.
Observação:
Para substituir uma pessoa que apareça como complemento desses verbos, pode-se
usar "lhe" ou "a ele / a ela": "Obedeço (desobedeço)
ao mestre / Obedeço-lhe (desobedeço-lhe); Obedeço a ele (desobedeço a
ele)". Para substituir o que não for pessoa, só se pode usar "a ele /
a ela": "Obedeço (desobedeço) ao código / Obedeço (desobedeço) a ele".
- PAGAR
Pede
objeto direto e indireto, que podem vir implícitos na frase.
Exemplos:
(PAGAR
ALGUMA COISA A ALGUÉM)
Paulo pagou suas dívidas ao Banco.
João não paga aos seus fornecedores há dois
meses.
Ele já pagou todo o material da obra.
- PERDOAR
Pede
objeto direto de coisa perdoada - que pode estar implícita na frase - e
indireto de pessoa a quem se perdoa.
Exemplos:
Perdoei-lhe a falta de educação.
"Perdoai-lhes (as ofensas), Pai! Eles
não sabem o que fazem."
Deus perdoa aos pecadores.
- PERSUADIR
Quando
significa "levar a crer, induzir a acreditar", pede objeto direto e
indireto.
Exemplo:
É preciso persuadir João dessas verdades.
Também
com o sentido de "instigar", pede objeto direto e indireto.
Exemplos:
Com esta mentira, persuadiu Lúcia à fugir.
Persuadi-os a deixar de fumar.
- PRESIDIR
Pede
objeto indireto.
Exemplo:
O juiz presidiu ao tribunal com mão firme.
- PREFERIR
Pede
objeto direto - para aquilo de que se gosta mais - e indireto - para aquilo de
que menos se gosta. Junto ao seu objeto indireto, pede a preposição
"a".
Exemplos:
(PREFERIR
ALGUMA COISA A OUTRA COISA)
Prefiro feijoada a macarronada.
(Compare:
"Prefiro a feijoada à macarronada". A presença do artigo
"a" antes de feijoada exige que também se empregue outro artigo antes
de macarronada, acarretando desse modo o surgimento do fenômeno da crase).
Prefiro o cinema ao teatro.
Preferimos estudar a não fazer nada.
Observação: O uso da expressão
"do que" no lugar da preposição "a" é incorreto. TAMBÉM NÃO
SE DEVE EMPREGAR ESTE VERBO COM OS ADVÉRBIOS "mais" e
"antes". Assim, é errado dizer: "Eu prefiro jogar bola do que
estudar"; "Eu prefiro mais esta camisa que aquela"; "Eu
prefiro antes tomar banho e depois jantar".
- PREVENIR
(ver AVISAR)
- PROCEDER
Significando
"iniciar, executar alguma coisa", pede objeto indireto com a
preposição "a".
Exemplos:
O juiz procedeu ao julgamento.
Eles procederam à entrega dos prêmios.
Com o
sentido de "vir, ter uma procedência", é intransitivo; geralmente
acompanhado de um adjunto adverbial de lugar.
Exemplo:
Aquele avião procedia de São Paulo.
Significando
"ter um determinado procedimento", também é intransitivo e,
normalmente, pode vir acompanhado de um adjunto adverbial de modo.
Exemplo:
Naquele caso, o advogado procedeu corretamente.
Com o
significado de "ter fundamento", é intransitivo.
Exemplo:
Esta sua denúncia não procede.
- PROPOR
Pede
objeto direto e indireto.
Exemplos:
Eu proponho a vocês formarmos um grupo de
debates permanente.
Nós lhe propomos um acordo irrecusável.
- QUERER
Pede
objeto direto quando significa "ter intenção de, desejar, ordenar, fazer o
favor de".
Exemplos:
Queremos fazer uma homenagem ao nosso
professor.
Quero um livro que fale sobre esoterismo.
O sargento queria todos os soldados a postos.
Com o
sentido de "ter afeição a alguém ou a alguma coisa", pede objeto
indireto.
Exemplos:
Queremos muito a nosso país.
A mãe queria especialmente ao filho caçula.
Eu lhe quero muito bem.
- REPARAR
No
sentido de observar, pede objeto indireto (reparar em).
Exemplo:
Fernando reparava nas
roupas de Carolina sempre que ela entrava na sala de aula.
Quando o
verbo reparar for usado no sentido de "consertar", é TRANSITIVO
DIRETO, e seu complemento (objeto direto) não precisa de preposição.
Exemplo:
Carlos reparou o carro para ir a Teresópolis.
- RESIGNAR
Com o
significado de "renunciar, desistir", pede objeto direto.
Exemplo:
Jorge resignou o cargo de diretor.
Significando
"conformar-se", é pronominal.
Exemplos:
Por acreditar na Justiça Divina, resigno-me
com minhas dores.
Resignou-se às tarefas que lhe foram dadas.
- RESPONDER
Pede
objeto indireto de pessoa ou coisa a que se responde, e objeto direto do que se
responde.
Exemplos:
Isabel respondeu sim ao pedido de casamento
de Luiz.
Vou responder-lhe todas as cartas.
O acusado responderá a inquérito.
Observações:
1. Com o
significado de "ser submetido a", o emprego do artigo definido é
facultativo.
Exemplos:
Ele responderá a inquérito (a inquéritos)
Ele responderá ao inquérito (aos inquéritos)
2. Este
verbo também admite voz passiva analítica, desde que o sujeito seja aquilo, e
não aquele a que se responde. Ex.: "Todas as perguntas foram respondidas
satisfatoriamente.
- SATISFAZER
Pede
objeto indireto.
Exemplos:
Satisfaremos ao seu pedido.
Eu lhe satisfaço.
É
pronominal no sentido de "contentar-se".
Exemplo:
Satisfez-se com os resultados das provas.
- SOCORRER
Significando
"prestar socorro a alguém", pede objeto direto.
Exemplos:
Todos correram para socorrer o pedestre
atropelado.
Todos correram para socorrê-lo.
No
sentido de "valer-se de alguém, tirar proveito de alguma coisa", pede
objeto indireto, iniciado pelas preposições "a" ou "de".
Exemplos:
Socorro-me dos amigos nas dificuldades.
Socorreu-se ao (do) empréstimo para comprar o
carro.
- SUCEDER
Pede
objeto indireto quando significar "substituir, ser o sucessor de".
Exemplos:
D. Pedro I sucedeu a D. João VI.
Eu lhe sucedi na presidência do grêmio
estudantil.
É também
pronominal no sentido de "acontecer depois, seguir-se".
Exemplo:
O que se sucedeu ao acidente, ninguém sabe.
Observação: Neste último sentido, o verbo apresenta-se
defectivo, sendo conjugado apenas na terceira pessoa do singular e do plural.
- VISAR
Significando
"mirar, fazer pontaria, pôr visto em, assinar", pede objeto direto.
Exemplos:
Ele visa o alvo.
Ana não visou o cheque ao fazer aquela
compra.
O presidente visaria o documento somente
depois que o lesse.
Pede
objeto indireto quando significa "pretender, almejar".
Exemplo:
Aquele funcionário visava ao cargo de chefia.
Observação:
Aqui também não é aceito o pronome "lhe" como complemento,
empregando-se assim as formas "a ele" e "a ela".
SENTIDOS
ESPECIAIS DE FRASES COM FORMAÇÕES DIFERENTES.
1. Ele esteve fora dois meses.
Ele esteve fora por dois meses. (ideia
reforçada de ininterrupção)
2. Esperar alguém.
Esperar por alguém (ideia de ansiedade)
3. Olhar alguém.
Olhar por alguém. (ideia de zelar,
interessar-se)
4. Não faças bobagens.
Não me faças bobagens. (Reforço de
interesse)
Atenção especial para:
1.
IR, VIR, VOLTAR, CHEGAR, CAIR, COMPARECER E DIRIGIR-SE
são intransitivos, mas exigem adjuntos adverbiais com:
**
preposição “de”, na indicação de procedência,
**
preposição “a”, na indicação de destino,
**
preposição “para”, na indicação de mudança definitiva.
1. Cheguei de São Paulo hoje, irei a Curitiba amanhã.
2. Irei para Ribeirão Preto, pois consegui um excelente emprego.
2. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE
Esses verbos são intransitivos, exigindo a
preposição “em”, iniciando adjunto adverbial de lugar.
1. Moro em Londrina desde que
nasci.
2. A empresa situa-se na av.
Duque de Caxias.
3. DEITAR-SE,
LEVANTAR-SE, SENTAR-SE
Esses verbos são intransitivos e pronominais,
ou seja, só podem ser usados com o pronome. É inadequado então o uso “Deitei
cedo ontem”; o certo é “Deitei-me cedo ontem”.
1. Quando se deitou, sentiu a
dor no peito.
2. Levante-se, garoto preguiçoso.
3. Sentei-me na cadeira errada.
2. Levante-se, garoto preguiçoso.
3. Sentei-me na cadeira errada.
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