quinta-feira, 6 de outubro de 2011

NOVIDADE NA CORREÇÃO DAS REDAÇÕES DO ENEM

O INEP divulgou algumas alterações para a correção das REDAÇÕES do ENEM/2001 que acontece nos próximos dias 22 e 23 de outubro. A primeira novidade no exame deste ano é que a  prova de redação terá reduzido o número mínimo de linhas. De acordo com as novas regras, os candidatos deverão escrever, pelo menos, oito linhas de texto. Até 2010, o mínimo exigido era de 11 linhas. Além disso, trechos da proposta não poderão ser utilizados na redação.
O texto será dissertativo-argumentativo e o estudante deve apresentar argumentos para comprovar sua tese e propor soluções para o tema previsto.
Além da redução do número mínimo de linhas, a mudança também traz novos critérios de correção da prova.
As alterações também incluem um novo critério de correção da prova, que será corrigida por um supervisor se a diferença entre as notas dos corretores atingir 300 pontos. Até o ano passado, isso só acontecia se essa diferença entre as correções fosse de 500 pontos.
ATENÇÃO – NÃO É PRECISO SE PREOCUPAR - ESSAS MUDANÇAS  NÃO INTERFEREM EM SUA PREPARAÇÃO.
A grande preocupação continua sendo os erros de gramática. Erros primários como erros de grafia, acentuação, pontuação, colocação pronominal, repetição de palavras, muitas vezes causados por nervosismo ou por falta de atenção, estão entre os que mais atrapalham.



DICAS PARA FAZER UMA BOA REDAÇÃO NO ENEM
Estrutura - A redação deve possuir três partes:
INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO E CONCLUSÃO.
Na introdução, deve apresentar o tema da dissertação e os dois enfoques que serão desenvolvidos.           
No desenvolvimento, deve expor sua opinião sobre o tema, defender sua posição e argumentar.
Na conclusão, apresentar uma solução para o problema

Opinião - A opinião do candidato sobre o tema também é analisada. É preciso evitar opiniões que firam os direitos humanos ou que sejam preconceituosas. As opiniões devem ser embasadas em argumentos sólidos e coerentes com argumentos apresentados com coerência e concisão. 
Linhas - Máximo e mínimo: Etente para os limites. Uma boa redação deve ter entre 25 e 30 linhas.

Rascunho - Fazer um rascunho com os principais elementos do texto reduz em até 20% o tempo gasto na produção da redação.

Cuidados – Caprichar na limpeza; Respeitar as margens, parágrafos, evitar rasuras e escrever em letra legível. Cada parágrafo com, no mínimo, dois períodos.

Um bom argumento é fundamental: A estrutura do texto exigido no Enem é dissertativo-argumentativo. Ou seja, o estudante deve apresentar argumentos para comprovar sua tese e propor soluções para o tema previsto na prova.


CRITERIOS DE CORREÇÃO DA REDAÇÃO DO ENEM
A redação deverá ser estruturada na forma de texto em prosa do tipo dissertativo-argumentativo, a partir da proposta de um tema de ordem social, científica, cultural ou política.
Na redação, também serão avaliadas as cinco competências da Matriz do ENEM, referidas à produção de um texto. Cada uma das competências será avaliada numa escala de 0 a 100 pontos.
Caso o participante não desenvolva o tema e a estrutura solicitados, será atribuída a nota ZERO à competência II da redação, o que anula a correção das demais competências da redação. A nota global da redação, neste caso, será ZERO.
A nota global da redação será dada pela média aritmética das notas atribuídas a cada uma das cinco competências específicas da redação.
As cinco competências avaliadas na redação são as mesmas avaliadas na parte objetiva da prova, traduzidas para uma situação específica de produção de texto, conforme especificado a seguir:
Parte Objetiva
Redação
I. Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica.
I. Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita.
II. Construir e aplicar conceitos da várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.
II. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
III. Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.
III. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
IV. Relacionar informações, representadas em diferentes formas e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente.
IV. Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação.
V. Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.
V. Elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.


Na competência I, espera-se que o participante escolha o registro adequado a uma situação formal de produção de texto escrito. Na avaliação, serão considerados os fundamentos gramaticais do texto escrito, refletidos na utilização da norma culta em aspectos como: sintaxe de concordância, regência e colocação; pontuação; flexão; ortografia; e adequação de registro demonstrada, no desempenho lingüístico, de acordo com a situação formal de produção exigida.
O eixo da competência II reside na compreensão do tema que instaura uma problemática a respeito da qual se pede um texto escrito, em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo. Por meio desse tipo de texto, analisam-se, interpretam-se e relacionam-se dados, informações e conceitos amplos, tendo-se em vista a construção de uma argumentação, em defesa de um ponto de vista.
Na competência III, procura-se avaliar como o participante, em uma situação formal de interlocução, seleciona, organiza, relaciona e interpreta os dados, informações e conceitos necessários para defender sua perspectiva sobre o tema proposto.
Na competência IV, avalia-se a utilização de recursos coesivos da modalidade escrita, com vistas à adequada articulação dos argumentos, fatos e opiniões selecionados para a defesa de um ponto de vista sobre o tema proposto. Serão considerados os mecanismos lingüísticos responsáveis pela construção da argumentação na superfície textual, tais como: coesão referencial; coesão lexical (sinônimos, hiperônimos, repetição, reiteração); e coesão gramatical (uso de conectivos, tempos verbais, pontuação, seqüência temporal, relações anafóricas, conectores intervocabulares, intersentenciais, interparágrafos).
Na competência V, verifica-se como o participante indicará as possíveis variáveis para solucionar a problemática desenvolvida, quais propostas de intervenção apresentou, qual a relação destas com o projeto desenvolvido sobre o tema proposto e a qualidade destas propostas, mais genéricas ou específicas, tendo por base a solidariedade humana e o respeito à diversidade de pontos de vista, eixos de uma sociedade democrática.

DEPOIS DE TUDO ISSO, AINDA RESTA-NOS A OPÇÃO:
TREINAR MAIS E MAIS...
Abração

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

DICAS PARA ESCREVER BEM


1. Vc. deve evitar abrev., etc.
2. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. “não esqueça das maiúsculas”, como já dizia dona loreta, minha professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.
5. Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parênteses (mesmo quando for muito relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?
9. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Nunca. Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo!… nada de mandar esse trem… vixi… entendeu bichinho?
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar já que é insuportável o mesmo final escutar.
 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O HÍFEN COM PREFIXOS

 

Pelo ACORDO ORTOGRÁFICO, em vigor desde janeiro de 2009, as palavras com prefixos passam a ter as seguintes configurações:

a) Prefixos que sempre exigem hífen:
    além, aquém, bem, ex(cessar), grão, grã, pós, pré, pró, recém, sem, soto, vice, vizo
além-túmulo, aquém-montes, bem-vindo, ex-diretor, grão-vizir, grã-fino, pós-datar,  pré-vestibular, pró-construção, recém-nascido, sem-nome, soto-ministro, vice-diretor, vizo-rei

Porém, cuidado, há algumas exceções que, por isso, não possuem hífen:
    bendizer, bendito, benfeitor, sensabor, sotopor, sotavento



b) Com a maioria dos prefixos (ou falsos prefixos) haverá hífen apenas quando a última letra prefixo for igual  a mesma letra inicial do elemento seguinte ou  for H:
ab, ad, aero, agro, ambi, anfi, ante, anti, arqui, audio, auto, bi, bio, cardio, centro, cis, contra, deca, eletro, entre, estereo, extra, fisio, foto, gastro, geo, hemi, hepta, hexa, hetero, hidro, hiper, hipo, homo, infra, inter, intra, intro, justa, macro, maxi, micro, mini, mono, morfo, moto, multi, neo, neuro, octa, oni, orto, para, pluri, penta, pneumo, poli, pos, pre, pro, proto, pseudo, psico, quadri, radio, re, retro, semi, sobre, socio, super, supra, tele, termo, tetra, trans, tri, turbo, ultra, uni, zoo.

abreação, adrogar, ambivalente, anfiteatro, antebraço, ante-histórico, anteontem, anterrepublicano, antessala, antiaéreo, antigripal, anti-hemorrágico, anti-incêndio, anti-herói, anti-inflacionário, anti-inflamatório, antissocial, arquirrival, arquibancada, arqui-hipérbole, arqui-inimigo, audiovisual, auto-hipnose, auto-ônibus, autoadesivo, autodestruição, autoescola, auto-hipnose, autorretrato, autosserviço, bicampeão, biodegradável, cardiovascular, cisandino, contra-ataque contrabaixo, contrarreforma, contrarregra, contrassenso, decalitro, decassílabo, extraescolar, extra-hepático, extra-humano, extrajudicial, extraoficial, fotossensível, gastroclínica, geo-história, geoquímica, hemicírculo, heptacampeão, hexassílabo, heterossexual, hidroavião, hiperativo, hiper-hidratação, hiper-honesto, hiper-resistente, hipocondríaco, hipodérmico, homossexual, infra-hepático, infraestrutura, infravioleta, interarticular, interbranquial, intercontinental, interestadual, interurbano, inter-hemisférico,  inter-helênico, inter-relacionar, intranet, intraocular, intrarracial, intrassetorial,  justaposição, macroeconomia, macro-organismo, macro-histórico, malcriado, maldito, maxidesvalorização, maxissaia, microacústico, micro-ondas, micro-ônibus, minissaia, monobloco, multipartição, neobarroco, neo-helênico, neo-humanismo, neoirlandês, neurocirurgia, octacampeão, onipresença, pansexualismo, paradidático, paramédico, pentacampeão, policultura, poscefálico, premeditar, procriação, protocélula, proto-história, protomártir, pseudoartista, pseudocientífico, pseudo-herói, psicodrama, quadrivelocidade, retroescavadeira, semialfabetizado, semiárido, semidestruído, semirreta, semisselvagem, sobreaviso, sobre-erguer, sobre-humano,  super-homem, superabundante, supersensível, supra-hepático, supracitado, supramencionado, teleamigo, telecurso, termoelétrico, termometria, tetracampeonato, tetracarpo, transamazônico, transfigurar, tricelular, turbo-hélice, turbopropulsor, ultra-adequado, ultra-aquecido, ultrassensível, ultrassom, unicelular, unicultura, zoofilia, zoográfico.



c) Os prefixos circum e pan exigem hífen apenas quando o segundo elemento iniciar por VOGAL, H, M ou N.
          circum-adjacente, circumceleste, circum-escolar, circum-hospitalar, circum-mundial, circum-murado, circum-navegação, circumpercorrer, circunvizinho, pan-africanismo, pan-americano, pan-helênico, pan-islâmico, pan-mágica, panzoótico.         



d) O prefixo mal exige hífen apenas quando o segundo elemento iniciar por VOGAL ou  H.
          mal-acabado, mal-afamado, malcriado, mal-educado, mal-encarado, mal-estar, malfeito, malformação mal-humorado, malmequer, malvestido, malvisto.


e) O prefixo sub exige hífen apenas quando o segundo elemento iniciar por H, R ou B.
         subaquático, subalugar, sub-base, subchefe, subclasse, subcomissão, subconjunto, subdelegado, subdiretor, subeditor, subemprego, subentendido, subestimar, subfaturado, sub-habitação, sub-hepático, sub-humano, subitem, subjacente, subjugado, sublingual, sublocação, submundo, subnutrido, suboficial, subprefeito, sub-raça, sub-reino, sub-reitor, subseção, subsíndico, subsolo, subterrâneo, subtenente, subtítulo, subtotal


f) O prefixo co exige hífen apenas quando o segundo elemento iniciar por H.
          coautor, codiretor, coeducação, coestaduano, coexistir, co-habitar, co-habitação, coobrigar, co-herdar, coocupante, corresponsável, cosseno, cossecante, cotangente.


  
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:

Quando a partição silábica coincidir com o hífen da palavra, DEVE-SE repeti-lo na linha seguinte. Essa é uma regra obrigatória, e serve para evitar que vocábulos compostos sejam tomados por simples:
                                 audiovisual       audio-     
                                                          visual   
            
                                verde-claro      verde-                                    
                                                        -claro






sábado, 20 de agosto de 2011

DE ACORDO COM O ACORDO, ou... NEM TANTO...

Esta é uma resposta a questões trazidas por alguns alunos sobre PÁRA, PRÉ, PRÓ e PÓS.
         
O Acordo Ortográfico, em vigor desde 1° de janeiro de 2010, infelizmente, deixou no ar muitas dúvidas. Especialmente no que diz respeito ao emprego do hífen em algum as palavras. Esta é uma delas, vejamos:

·        Antes do acordo:
PÁRA, PRÉ, PRÓ e PÓS – com acento - exigiam hífen em todas as ocasiões;
PARA, PRE, PRO e POS – sem acento - nunca aceitavam hífen.
Ex.: pára-quedas, pára-lama, pára-choque, pára-vento, pré-vestibular, pré-datar, pró-reitor, pró-construção,  pós-graduação, pós-datar; paramédico, paradidático, paranormal, preconceito, preestabelecer, procriação, propor, posposto, pospontar...

·        Depois do acordo:
PRÉ, PRÓ e PÓS – com acento - continuam exigindo hífen em todas as ocasiões.
PRE, PRO e POS – sem acento - continuam nunca aceitando hífen.
            Ex.: pré-vestibular, pré-datar, pró-construção, pró-reitor, pós-graduação, pós-datar; preconceito, preestabelecer, procriação, propor, posposto, pospontar...          
Com esses três prefixos, nenhuma novidade...
Mas...    
Com relação ao PARA (proveniente do verbo parar = proteger, resguardar, aparar) a confusão está instalada. Era acentuado antes do acordo e, agora, perdeu o acento. No entanto, ao consultar diversos autores, encontramos algumas orientações diferentes quanto ao uso do hífen.         
          Para dirimir todas as dúvidas, deve-se ir direto à fonte. E a fonte é o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, que é onde encontramos as grafias OFICIAIS das palavras da nossa Língua.


Pois bem: no Vocabulário Ortográfico, depois do Acordo, as palavras que possuem o prefixo PARA, seguido de hífen passaram a ser as seguintes - APENAS AS SEGUINTES:
para-apendicite,  para-axial, para-balas, para-brisa, para-brisas, para-centelhas, para-chispas, para-choque, para-choques, para-chuva, para-chuvas, para-cinzas, para-costas, para-estilhaços, para-estopilha, para-estopilhas, para-fios, para-fogo, para-fogos, para-hélio, para-hidrogênio para-hidrogênico, para-história, para-lama, para-lamas, para-luz, para-luzes, para-muro, para-muros, para-pelote, para-pelotes, para-raios, para-sol-da-china, para-sóis-da-china, para-sol, para-sóis, para-vento, para-ventos


            O Acordo traz, ainda, SEM hífen algumas palavras que, devido ao seu uso, perderam a noção de composição, e traz como exemplos:
paradidático, paraestatal, paramédico, paranormal, parapente, parapeito, parapsicologia, paraquedas, paraquedista, paraquedismo, paratifóide...

A confusão se estabelece porque, em alguns dicionários, inclusive no Dicionário Aurélio, há algumas discordâncias.
Contrariando o contido no Vocabulário, eles trazem:
parabrisa, parachoque, parachoques, paralama, paralamas, pararraios, paravento, paraventos.
             A solução para essa discussão toda será dada com a republicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, já prometida pela Academia Brasileira de Letras.
Resta-nos aguardar...
           
Porém, tem mais... acredite...
O inusitado fica por conta do registro, no Vocabulário Ortográfico, de palavra com a letra H, medial.
Segundo a Gramática, usa-se H no meio de palavras apenas nos dígrafos CH, LH, NH; na palavra BAHIA (estado), por tradição; e em nomes fantasia, como Brahma e Bohemia. Porém, no Vocabulário encontramos: parahopeita e parahnita.
           
 Durma-se com um barulho desses...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

OUTRA VEZ A MÃO DE DEUS

Numa certa época de minha vida, eu lecionava, em Porto Alegre, pela manhã e pela tarde, numa escola de segundo grau (era assim que se denominava o atual Ensino Médio). À noite, eu dava aulas em dois cursinhos Pré-Vestibular  que possuíam sede em Porto Alegre e filiais em algumas cidades do interior. De segunda a sexta-feira, eu viajava para essas sedes – Gramado, Taquara, Osório, Estrela e Bento Gonçalves – todas distanciando de Porto Alegre em torno de 100 quilômetros.
Dava minhas aulas pela manhã e pela tarde e ainda viajava para o interior - eu mesmo dirigia. Para completar, o carro que eu possuía na época, era uma Kombi (a velha e querida Kombi de tantas histórias...). Nessas viagens levava sempre comigo um filho ou uma filha para me acompanhar.
Velha companheira de viagens... Aqui em frente à casa antiga em Cidreira...
 Uma dessas viagens, era para o município de Osório, localizado no litoral do estado, a 95 quilômetros de Porto Alegre.  

Vista de Osório do Morro da Borússia
 Em Osório, localiza-se o maior projeto de produção de energia eólica da América Latina, o Parque Eólico de Osório, que tem potência instalada para a geração de 150 megawatts, ou 425 milhões de kilowatts/hora por ano, o que é suficiente para abastecer meia capital gaúcha por doze meses ou 650 mil residências. Atualmente é o responsável pela produção de mais de 50% da capacidade eólica total instalada no território brasileiro.

Trecho da FreeWay, Lagoa dos Barros e Parque Eólico...
Para se chegar a Osório, usa-se a BR 290, Estrada General Osório, conhecida como FreeWay. Uma estrada moderna, muito bem cuidada (também, com os pedágios que se paga...), mas muito perigosa.

FreeWay - BR 290
Muitos acidentes ocorrem pela imprudência dos motoristas que exageram na velocidade, mas outros acontecem por causa dos ventos.

Ônibus tombado na freeway pela força do vento ..
Sim, os mesmos ventos que movimentam os cataventos do parque eólico, em determinadas épocas do ano, tornam-se muito fortes, tão fortes que são capazes de virar até ônibus e caminhões na FreeWay, especialmente no trecho próximo às lagoas.
Num belo dia, depois de abastecer a Kombi, lá fui eu, FreeWay afora, acompanhado de minha filha Helena, dar minhas aulas no cursinho de Osório. O tempo virou e a chuva chegou. Muita chuva. Temporal... Não bastasse isso, a chuva veio acompanhada de ventos muito fortes. Casas foram destelhadas, árvores arrancadas...
Destruição ao longo da estrada... 
Na volta para Porto Alegre – as aulas terminavam às 22h30 – a chuva continuava forte, e os ventos também... Na estrada, pouco movimento por causa do horário e por causa do tempo. E eu não podia ficar esperando, já que no dia seguinte a rotina continuaria... aulas pela manhã, tarde e noite...
Com muito cuidado, lá íamos nós, Helena e eu. A Kombi sacudia, dançava, rebolava.. e muito. Balançava de um lado para outro, e eu precisava manter uma velocidade razoável, já que, numa situação assim, correr faz com que se perca o controle do veículo; se andar devagar demais, o vento o tomba... E, lá íamos nós... apreensão, tensão, medo... Relâmpagos, trovoadas, rajadas de chuva, lambidas de vento... Um horror... Quando chegamos no trecho perto da Lagoa dos Barros, o vento apertou... As rajadas ficavam cada vez mais fortes e desordenadas. O limpador de pára-brisas quase não dava conta da quantidade de água que batia no vidro dianteiro da Kombi, então aconteceu...
De repente...
Você já assistiu daqueles shows onde pilotos experientes fazem acrobacias com carros em que eles os dirigem inclinados sobre apenas duas rodas...
Pois é...

Uma forte rajada  de vento fez a Kombi sacudir e quase virar... Outra rajada mais forte e lá fomos nós... a Kombi não chegou a virar... mas ficou em duas rodas... isso mesmo, inclinou e ficou em duas rodas... Questão de segundos...
Quando algo assim acontece, a reação automática do motorista é girar a direção do carro para o lado das rodas que estão no ar, na tentativa de “puxar” o carro para a posição normal.. e esse é o erro...Jamais se pode fazer esse movimento, pois ele fará a roda dianteira, que está suportando o peso do carro, curvar-se ainda mais para dentro e virar de vez, tombando o carro.
Essa foi mais uma daquelas ocasiões em que percebi a presença da mão de Deus me ajudando.
Eu não pensei em nada, apenas fiquei apavorado e puxei (Deus me fez puxar ou puxou para mim) a direção em sentido oposto, o que fez com que a Kombi permanecesse andando de 15 a  20 metros em duas rodas para depois voltar à posição normal...
Depois disso, andei mais uns 500 metros e parei a Kombi embaixo de um viaduto, para nos proteger da chuva e recuperar o fôlego... Olhei para a Helena, ele estava pálida, branca, opaca... e eu... não conseguia fazer meus joelhos pararem de tremer, aliás não era só os joelhos que tremiam... as mãos, os braços, as pernas... tremia tudo... Vocês podem estar rindo... mas foi um susto enorme... ficamos ali um bom tempo esperando a tempestade parar. Quando os ventos pareciam ter acalmado um pouco e a chuva amainado, continuamos nossa volta para casa... Havia ainda muitas rajadas de ventos e, para não ter mais surpresas como aquela, posicionei a Kombi ao lado de uma carreta, carregada, que passava, e andei um bom trecho ao seu lado, usando-a como se fosse um escudo. Claro que dormir naquela noite foi difícil... não preciso dizer por quê...
 
Eu e Helena, minha copiloto dessa e de muitas outras viagens...
Que viagem!… mais uma para ficar na lembrança...e, como disse, mais uma em que senti a mão de Deus me ajudando...